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Mostrando postagens com marcador Alexander Supertramp. Mostrar todas as postagens
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domingo, 21 de agosto de 2016

Individualismo

  Confronto aqui algumas ideias expressadas anteriormente, trazendo-lhes uma nova reflexão.
Henry D. Thoreau
   Quem acompanhou o blog desde sua gênese pode perceber que tenho grande admiração por indivíduos como Thoreau, McCandless, entre outros que tem em comum uma história de viver ou tentar viver isolados do restante do mundo, e não posso deixar de admitir que em muitos momentos tenho esse desejo aflorado da essência de meu ser. E é então que surgem meus pensamentos, digamos, "contraditórios". 
   É fato conhecido que muitas das tentativas de vida solitária acabam fracassando em um determinado momento, sem contar que em muitos poucos casos é possível classificá-las como essencialmente solitárias, considerando que, na grande maioria das vezes, existe a presença de outros indivíduos envolvidos que, por menor que seja sua participação, contribui para o bom andamento das experiências desses admiráveis aventureiros.
   Se por um lado o indivíduo solitário acaba adquirindo maior resistência, experiência e consequentemente autonomia, por outro lado nenhum ser solitário é capaz de superar a resistência proporcionada por uma comunidade, é lógico que não se pode considerar qualquer sociedade, é preciso que esta esteja reunida em prol de um propósito comum, e não apenas uma agrupamento de pessoas com atitudes individualistas.

    Mas o que é que nos faz então, querer isolarmos de todos os outros? Pois bem! Em alguns casos ficou claro que isso servia apenas para mostrar que o indivíduo era capaz de tal feito. No entanto, na maioria dos casos, percebo eu, esses indivíduos simplesmente cansaram-se de tentar viver em uma sociedade que não foi capaz de atender, e nem ao menos entender, a sua maneira de ser. Nota-se nessas celebres figuras uma grande resistência ao modo como a nossa sociedade tem agido, e na impossibilidade de criar uma nova sociedade condizente com suas "ideologias", preferem eles partir e viver a sua maneira mesmo que solitariamente.
Fonte
   Essa desistência da comunidade, ao meu ver, trás apenas prejuízos, pois considero que a forma de ver o mundo desses solitários costuma ser muito mais benéfica a humanidade do que a atual concepção de sociedade que temos. Em contrapartida o indivíduo passa a ser desconsiderado pela grande maioria que não foi capaz de compreender, ou simplesmente respeitar sua maneira de pensar.
    Agora me vem ao pensamento um novo paradoxo. No atual modelo social já somos todos solitários e individualistas, a única diferença é que não saímos mundo a fora, nem construímos uma cabana na floresta para viver a sós, somos solitários na multidão! Vivemos um verdadeiro "Individualismo de Massa".
    Somos individualistas ao ignorarmos a maneira de ser e de pensar dos demais!
Somos solitários pois não somos capazes de debater profundamente e de forma sadia nossas ideias pessoais!
Somos individualistas querendo superar os outros a todo momento!
Somos solitários por não buscarmos o bem comum!
Somos individualistas quando recusamos compartilhar nosso conhecimento!
Somos solitários porque o sistema nos quer assim, pois assim somos fracos!
Fonte


sábado, 14 de setembro de 2013

Em Busca De Um Sentido

       Encerrada a leitura do livro Na Natureza Selvagem, sinto-me apto a fazer alguns comentários sobre a experiência marcante, e sobre ele mesmo, o aventureiro Christopher Johnson McCandless (Alexander Supertramp).

  Um dos aspectos mais interessantes do ser humano é a sua capacidade de interpretar os fatos a sua maneira e assim desenvolver suas próprias conclusões, suas teorias, embora nem sempre de forma sensata e tampouco correta, mas que quando bem explanadas, essas ideias podem alimentar boas discussões em busca da explicação mais plausível.


  Após o corpo de Chris ser encontrado pelos caçadores inciou-se uma grande especulação sobre o ocorrido, e nessas horas o que não faltam são opiniões das mais diferentes formas possíveis, algumas bem embasadas, outras quase nada, algumas puramente emocionais e outras baseadas nos conhecimentos de quem realmente entende o objeto em questão.

     O fato de Alex ter deixado sua família, da forma que o fez, mantendo-se incomunicável, é visto por uma grande parcela das pessoas como um ato egoísta de rebeldia sem sentido, no entanto se analisarmos o propósito da odisseia que ele criou, e a maneira como seus pais agiram diante da situação, fica claro que ele não teria outra forma de seguir em frente, não fosse desaparecendo sem deixar rastros.



     Dizem os matutos mais experientes que Supertramp não estava, de forma alguma, preparado para encarar um aventura tão perigosa. De fato ele não estava, nas de uma certa forma porém, estava certo do que queria. É obvio que teria sido mais fácil se tivesse ele todos os petrechos apropriados para uma aventura no extremo selvagem, mas os relatos conhecidos indicam claramente que ele não queria assim. Afinal, como provar que a experiência de viver da natureza seria possível se ao mesmo tempo em que fosse viver de maneira selvagem, levasse com ele todos os equipamentos modernos que permitir-lhe-iam sua sobrevivência?

    Em que estado estava a sanidade mental de Chris quando partiu para essa jornada sem regresso, ainda é motivo de discussões. Independentemente disto ele nos proporcionou uma visão crítica e autoavaliativa sobre a maneira como vivemos, pensamos e agimos. Sua negação a sociedade é vista como algo impossível de se conceber, e é um pouco contraditória de fato, mas é compreensível se conseguirmos analisar os verdadeiros motivos. 


   Se analisarmos a convivência de um ângulo diferente, veremos que muito daquilo que fazemos não está certo, e que estamos apenas nos enganando, seguindo os passos de outros ao invés de traçarmos nossos próprios caminhos.

   Não precisamos fazer o que Supertramp fez para atingirmos essa percepção sobre a humanidade, basta refletirmos e mudarmos, talvez assim, poderemos desenvolver uma nova forma de sociedade, com mais ênfase no fator humano do que fator material, tal como é o presente.

Ônibus Magico - Abrigo de Supertramp durante sua estadia no Alasca                 Fonte: Na Natureza Selvagem
   A morte de Chris jamais poderá ser visto como uma perda tola e evitável, mas sim como um marco para uma mudança, e antes de tentarmos entender os anseios intimo desse jovem aventureiro devemos compreender a mensagem que ele pode transmitir ao mundo através de sua odisseia mortal. 

   Supertramp não foi o único, e muitos outros apareceram para tentar nos mostrar que que a humanidade está empreendendo um grande esforço para obtermos aquilo de que não precisamos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Isolamento

    No filme 'Na Natureza Selvagem', Alexander Supertramp aventura-se no Alasca buscando isolar-se da sociedade, assim como fez, Henry David Thoreau ao instalar-se na floresta às margens do Lago Walden.

Tracy e Alex - Cena extraída do filme Na Natureza Selvagem.
     O desentendimento que Alex tinha com seus pais é apresentado como um dos motivos que o levaram a tomar essa ousada atitude, isso e a ideologia que ele havia desenvolvido sobre a vida em sociedade. Em um dos capítulos do livro 'Na Natureza Selvagem', é feita uma explanação mais acentuada acerca dessa necessidade de isolamento. A maioria das pessoas provavelmente atribua - antes de conhecer a fundo a história - sua "fuga" a alguma decepção que sofrera em sua vida, sem deixar de lado o mais comum de se pensar, que tenha sido motivado por algum relacionamento frustrado, porém isso jamais convenceu as pessoas que o conheceram, e que viveram algum tempo ao seu lado, por mais curto que tenha sido esse contato. 

      Tinha ele a sua própria percepção sobre os relacionamentos, seja entre um casal ou entre o indivíduo e a sociedade, de forma que alguns dos amigos, os quais conhecera durante a sua aventura, afirmaram que Alex mencionou que gostaria de se casar e ter filho, essas coisas todas "normais" digamos, algum dia, isso só depois que regressasse do norte. Disseram que era um rapaz com uma boa virtude.

      Como havia comentado em um post anterior, penso que essas situações, como as decepções, não possam ser o fator fundamental para estimular a fuga e o isolamento, mas sim um fator que amplia essa vontade. Muitas pessoas como Alex, Henry, Timothy, eu mesmo, e muitas outras pessoas que conheço não conseguem ver o mundo simplesmente como ele é; aceitar que as coisas são como são, e que não se pode mudar, não achamos correto o andar dessa carruagem da civilização, e assim buscamos entender a vida mais profundamente, e passamos, também, a buscar alternativas para a promover alguma mudança. Não é fácil conviver como qualquer pessoa quando se tem esse tipo de visão.

  Deixando de lado as atitudes extremistas, é fácil perceber que o isolamento é amplamente utilizado pelas pessoas que estão com algum problema e precisam 'parar pra pensar', e o fazemos sem perceber, espontaneamente, naturalmente. Quem nunca fez isso? Deixar aquela discussão para o outro dia; afastar-se de alguém que está irritado com você no momento; fazer aquela caminhada sozinho; dar um tempo de tudo.....vale até aquela expressão divertida 'Dorme que passa!'. Todas essas são formas de isolar-se, as vezes fisicamente, as vezes apenas mentalmente, pois o nosso cérebro complexo pode sofrer algum bug a qualquer momento e é então que precisamos nos isolar para destravar, recompor-se, organizar nossa mente.
       
      Certamente Supertramp queria mais que isolar-se do mundo todo, ele estava em busca de conhecimento, entender como a vida funciona e, para isso, nada melhor do que sair e viver a vida de uma maneira que seja possível perceber a realidade de tudo, sem as maquiagens implantadas pela sociedade.
      

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Vivendo sem CEP

      Olá! Hoje vou falar sobre um dos estilos de vida que está ligado ao ideal de Fugir Para O Mato, que primeiramente tem como objetivo de fixar-se em algum lugar isolado em uma floresta ou similar, e em segundo plano -  mas isso sem priorizar nem um deles - está a ideia de vida sem um endereço fixo, viver pelo mundo todo, explorando, conhecendo. Quando estava planejando escrever sobre isso, eis que cai na telinha do meu PC um artigo publicado em um Blog muito interessante, o Hypeness, falando sobre uma família que vive em uma Kombi, então resolvi adiantar um pouco a postagem.

        Resumindo a história, e sugiro que leiam ela no Hypeness, o filho do casal fez um pedido de aniversário para que eles pudessem ficar mais tempo juntos,  então, Jason Rehm e sua esposa, já cansados do estilo de vida americano, que inclui consumismo, muitas horas de trabalho, e pouco tempo de lazer, resolveram alugar sua casa, vender e/ou doar a maioria de seus pertences, compraram uma Kombi e caíram na estrada.


    A interessante história deles, revela que os motivos que os levaram a adotar essa atitude são, basicamente, os mesmo que citei no post Mas fugir do que?. Também eles estão tentando fugir do caos moderno, embora de uma maneira um pouco diferente do conceitual de viver na estrada, uma vez que o Jason mantém um vínculo empregatício com flexibilidade para trabalhar em qualquer lugar que esteja.

      Viver sem rumo definido, porém com a cabeça no lugar, eles não estão perdidos no mundo como podem pensar algumas pessoas, eles simplesmente não planejam a longo prazo, e esse é o espirito aventureiro que estou tentando aperfeiçoar, deixar a comodidade de lado, desprender-se do lugar. Pense no  quanto é interessante acordar numa certa manhã e dizer "Hoje vamos pro sul!" e seguir rumo a alguma cidade diferente, ficar lá por um tempo, conhece-la e depois partir para outro canto.     


        Viajar dessa forma é até uma atitude mais comum de se ver, porem na maioria das vezes, ela é apenas temporária, onde as pessoas acabam regressando para um local fixo, um endereço oficial, e mantém uma comum as de outras pessoas, como comentado por Jason quando se refere a esperar a aposentadoria para viajar. Seria como um espirito semi-aventureiro, também admirável, pois essas pessoas estão buscando conhecer o que o mundo tem para oferecer.
       
     Para se viver como rubber tramps (que seriam os "vagabundos" motorizados, conforme descrito no livro Into The Wild) será necessário preocupar-se com recursos financeiros necessários para gasolina, manutenção, pedágios, etc. Essa é sempre a parte questionada "Como vai conseguir se manter?", bem essa vida não é pra quem procura luxo e conforto material, é pra quem quer paz de espírito e liberdade, e para isso é necessário viver com mínimo possível.

 
      Pode ser dizer que há três maneiras de se conseguir isso, você pode ser um cara com uma conta gorda no banco para torrar - ferindo todo o ideal - pode, também, ter a sorte de conseguir um emprego como o de Jason que pode ser realizado a distância e em qualquer lugar que esteja, ou o mais comum, os empregos temporários, como pode ser visto no filme Na Natureza Selvagem, a cada parada pode-se realizar serviços e receber uma graninha pra seguir por mais alguns quilômetros.

      Essa realmente é uma maneira muito divertida de conhecer o mundo todo, com um cantinho móvel aconchegante, uma pouco apertado, porém bem equipado, e com o melhor dos combustíveis, a sede por aventuras.
   

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Consumir Para Existir!

      Mais uma vez mencionarei o filme Na Natureza Selvagem como base para expor meus pensamentos, afinal, nessa cena em particular, o pequeno discurso proferido por Chris MacCandless foi tão compatível com minhas ideias que cheguei a comentar com a pessoa que me indicou o filme que até mesmo parecia ser eu mesmo quem estava falando.  E essa ideia está, também, intimamente ligada a filosofia e a tese  defendida por Thoreau.

     O trecho do filme a que me refiro aparece logo na introdução, e é através dele que é apresentado pela primeira vez um dos motivos que levou Chris a abandonar a vida em sociedade, o excesso material. Na cena ele discute com seus pais que lhe oferecem de presente um carro novo, no entanto ele recusa. Afinal o jovem já tinha um veículo e não precisava trocá-lo por um novo, não precisava de um carro chique, para  ser bem visto aos olhos da sociedade, para que sua família não se envergonhasse dele diante dos vizinhos, o que os outros pensavam ao vê-lo com um carro velho de nada lhe importava.


     Isso levanta a questão chave: Porque comprarmos aquilo que não necessitamos? Os costumes sociais atuais impõem certos critérios para que possamos nos integrar a sociedade, como se somente assim poderíamos ser felizes. Ao meu ver isso é um grande mal, e também disso quero fugir. Não precisamos viver assim.

      A questão não é ter o não ter dinheiro pra gastar, pois esse estilo de vida deixou de ser apenas a atividade de lazer das classes economicamente superiores. O desejo de viver de maneira simples não está vinculado ao saldo bancário, mas sim essência de cada um de nós. A situação atual até parece uma competição para mostrar quem pode consumir mais, independentemente das consequências, muitos até se privam de elementos básicos para investirem em coisas que irão inflar seus egos perante uma sociedade falsamente bem sucedida, que está vivendo numa realidade chamada Sonho Médio (por Dead Fish). Aos poucos estamos substituindo o 'ser' pelo 'ter', e me assusta pensar onde isso vai levar a humanidade, pois a ideologia seguida agora é de que precisamos consumir para existir.

      A cena do filme representa algo muito típico para nós, falarei então sobre automóveis como exemplo. Vivenciamos corriqueiramente as pessoas ao nosso redor trocando seus carros semi-novos por carros novos, mas para que? Nas ruas vemos carros com 10, 15 até 20 anos de uso, rodando perfeitamente, então porque seu veículo com dois anos de uso precisa ser trocado? Ah sim! Seu colega de trabalho também trocou o dele, e o do seu vizinho é o ultimo lançamento do ano. Bem, se isso realmente o deixa feliz vá em frente! Apenas me parece que a vida dessas pessoas se torna tão vazias  ao ponto de que apenas gastando dinheiro, para equiparar-se aos outros, é que podem sentir-se bem. Pensem em todo o resto que compramos sem termos a real necessidade, isso é desperdício, é no mínimo imprudente.


      Porque substituir aquilo que ainda é útil, e assim será por um longo tempo. Além disso me parecer algo fútil demais, é ainda uma fonte de diversos outros problemas, como aumento de frota de veículos incompatíveis os sistemas urbanos atuais, aumento de resíduos, afinal onde estocar os milhares de veículos em desuso, existem também problemas econômicos, modificam-se taxas de juros, impostos, subsídios, entre outros para incentivar o consumo, apenas para gerar uma falsa imagem de bom desenvolvimento econômico,  pois ao meu ver o sistema econômico todo é um jogo em que poucos participam e que se beneficiam ainda menos.


     Se estou certo ou não, não sei dizer! Tudo o que sei é que nunca precisei adotar tais atitudes para ser bem visto em algum lugar, e sei que meus calçados velhos podem me levar ao mesmo destino aonde vão os pés envoltos em calçados novinhos, que provavelmente irão ser usados por poucos meses e serão substituídos por modelos novos sem terem vividos nenhuma aventura! Nem tampouco precisei adquirir um bem material, daqueles cuja utilidade é duvidável, para ser feliz. É como Supertramp diz "São só coisas". Pensem nisso! Do que mesmo precisam para serem felizes?

     Falar sobre consumismo é sempre algo muito polêmico, que alimenta boas discussões, principalmente porque boa parte das pessoas costumam levar tudo ao extremo e se esquecem de manter a ideia num patamar mais realista. É claro que se levarmos em consideração pessoas como Christopher que abriu mão de tudo para aventurar-se na natureza,  isso parecerá  exagerado, embora no meu ponto de vista nem tanto exagerado. Não creio que, tanto Chris como Thoreau, tenham realizado esses feitos almejando que todas as pessoas do mundo seguissem seus passos e fizessem como eles, mas sim para demonstrar-lhes que é possível viver sem os exageros impostos pela civilização moderna.

     O Fugir Para O Mato representa, também, uma questão de mudança comportamental, não apenas a ideia real de ir viver na natureza de forma selvagem, e embora realmente essa vontade esteja presente em meu ser, quero que considerem apenas a filosofia de viver de uma maneira mais simples, desapegar-se do excesso material que tanto tem consumido nossa sociedade e a própria natureza, afinal a nossa felicidade não deve ser apenas sustentada por objetos, posses, coisas, há muito mais que isso na nossa vida. Viva simples, viva livre de apegos materiais, descubra novas fontes de alegria.
       

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Viajar

      Há pouco tempo, olhando as fotos de uma amiga no Facebook, me deparei com um álbum cujo o título é "Viajar é trocar a roupa da alma", uma frase de Mário Quintana que descreve perfeitamente o sensação de viajar e conhecer novos lugares.

      Esse assunto me remete a falar sobre um dos trechos interessantes do filme 'Na Natureza Selvagem', as conversas do jovem Supertramp com o Sr. Ronald Franz. Apesar de o tema viajar estar presente em todo o filme, há uma parte em especial, em um dos diálogos entre esses dois.

Imagem extraída  do filme Into The Wild
      No início da 2ª hora de filme, Alex revela a Franz que o seu objetivo é ir para o Alasca, ele então é indagado pelo velho "Rapaz de que você está fugindo?". Em resposta Supertramp diz que poderia fazer-lhe a mesma pergunta, no entanto ela já saberia a resposta, então ele volta-se para Ron e diz a ele que deve sair de casa, pegar a estrada e viajar, que ele ainda tinha muito para viver. Na sequência, com um bastante esforço, Ron sobe o morro e junta-se ao rapaz para terminarem a conversa, momento em que Alex exprime outra de suas frases marcantes "As pessoas precisam mudar o modo de ver as coisas".

     Muitas vezes ao conversar com pessoas de uma certa idade é comum ouvir delas a seguinte frase "Gostaria de ter tido a oportunidade de viajar mais quando era jovem!", sempre com um certo ar de frustração. Vários motivos podem ter impedido essas pessoas de deixarem seus lares para conhecer outros cantos do mundo, não cabe a nós julgarmos se as decisões deles foram certas ou não. Por outro lado, algumas pessoas de idade sempre tem na ponta da língua alguma história sobre algum lugar pra onde viajaram e que, indubitavelmente, ficou marcado em suas memórias. Meu conselho, nunca percam uma oportunidade de viajar!

       Nosso estilo de vida moderno quase não nos deixa tempo pra curtir a vida. Os feriados estão aos poucos sendo suprimidos pelas necessidades mercantis financeiras. Só nos restam as férias, e estas, muitas vezes são negociadas. Ouço muito por aí "Vou vender minhas férias, juntar uma graninha, não tenho mesmo pra onde ir!" Errado! Nem sempre é necessário ter uma boa reserva de dinheiro pra se viajar, existem diversas opções e alternativas para tornar o sonha de viajar acessível. E se ainda assim estiver pensando em não gastar dinheiro, leve em consideração o bem estar que isso trará pra você, não será melhor estar descansando em uma pousada do que trancado em um escritório, pendurado ao telefone? Pense bem! (Ah sim! Quero deixar claro que não tenho nenhuma agência de turismo hehe).
       
       Não devemos ter o pensamento de que viajar não é pra qualquer um, que é só pra quem tem dinheiro pra esbanjar. É lógico que devemos dar atenção as necessidades básicas e essenciais primeiro, e talvez, viajar seja algo essencial também. Mudar o modo como vemos as coisas e também mudar o modo de agirmos, temos que parar de tratar o lazer como a ultima atividade a ser feita, se der tempo. O tempo não para, aproveite-o, ou lamente depois.

   
   Ao longo dessa minha curta existência tive oportunidade de fazer algumas viagens, não tantas quanto gostaria de ter feito, mas ainda posso fazer, e sei muito bem que a sensação de viajar causa um bem estar tremendo em nosso ser. E podem apostar, muitas de minhas melhores lembranças são destas viagens,  e é com isso que pretendo alimentar minha felicidade. Em minha velhice quero ter histórias pra contar, sobre lugares que visitei, sobre o que vi, vivi, e senti, de tudo que pude desfrutar rodando por esse vasto mundão.


        Existem tantos lugares para serem conhecidos, tantas culturas e hábitos para serem compartilhados. Nas palavras de Supertramp "O âmago do espirito humano pede por novas experiências". Devemos absorver um pouco de tudo o que há de bom nesses lugares novos, e isso acontece involuntariamente, basta observar-se ao regressar para seu lar, vindo de um lugar diferente dos habituais, e verá que algumas atitudes e comportamentos seus mudaram, normalmente pra melhor, isso tudo aconteceu porque você trocou a roupa de sua alma.




"Pela janela do ônibus olho para trás e me despeço da minha cidade, com os olhos fitando a paisagem já conhecida. Na mente apenas uma certeza, de que em um novo lugar maravilhoso estarei desembarcando logo mais. E pela estrada sigo admirando ao contorno de cada curva uma nova e impressionante paisagem."






Quantos de vocês sentiram vontade de preparar uma mochila e sair agora mesmo em busca de uma nova aventura???
Então não se prendam, deixem esse impulso que vos tomou agir. 

Pegue sua mochila e caia na estrada, com ou sem destino!


domingo, 26 de maio de 2013

Inspirações II

     Minha segunda fonte de inspiração é o filme 'Na Natureza Selvagem', cujo título original é 'Into The Wild' lançado em 2007, com roteiro e direção de Sean Penn o filme baseia-se em uma história real. Existem vários trechos do filme que merecem atenção especial, portanto vou abordá-los nas próximas postagens, para agora apenas farei comentários gerais a respeito da história.
Foto do verdadeiro Christopher ao lado do Ônibus Mágico - Alasca, 1992.
      Este filme é baseado no livro de mesmo título, Into The Wild, do escritor, jornalista e alpinista americano Jon Krakauer e publicado em 1996, que conta a história vivida por Christopher Johnson McCandless. Iniciei a leitura do livro a pouco tempo, portanto não comentarei a respeito dele, mas posso prever pelas primeiras páginas que o livro será tão empolgante quanto o filme.
   
     No filme, Christopher nascido em 1968, é um jovem de classe média alta dos EUA, que ao terminar a faculdade decide abandonar tudo. Deixou pra trás a sua família, sua casa, doou suas economias do fundo universitário para uma instituição de caridade, livrou-se de seus documentos, e por fim, depois de ter se distanciado do local onde morava, livrou-se do seu carro, aliás um carro velho que gerou uma boa discussão, mas essa merece ser comentada a parte, em outra ocasião.
   
     Sem dinheiro, documentos, meio de transporte, levando consigo apenas algumas peças de roupa, e alguns livros, segue viajando pelo país no melhor estilo mochileiro. Seu plano era ir para o Alasca e lá viver, finalmente, 'Na Natureza Selvagem', agora adotando o pseudônimo  Alexander Supertramp.
Foto do verdadeiro Alexander Supertramp - Alasca, 1992. 
   Durante o filme o jovem expõe a sua visão, conceitos e filosofia de vida, e posso de dizer que muitas refletem meus pensamentos, daí minha admiração pela história. Devo dizer que foi satisfatório descobrir que as citações de Thoreau feitas por Supertramp durante o filme, estavam presentes no livro que estava lendo, além desse autor ser citado como um dos favoritos do protagonista.

     Como se não bastasse as belíssimas imagens registradas em algumas das paisagens mais deslumbrantes, a trilha sonora do filme o torna ainda mais empolgante e emocionante, impossível não sentir desejo de viajar nesses momentos, afinal, como o Supertramp fala no filme "O âmago do espírito humano pede novas  experiências". A trilha sonora do filme foi toda elaborada por Eddie Vedder, e as músicas presentes no filme compões seu álbum que leva o mesmo nome do filme. Eddie já era um de meus artista favoritos, principalmente pelo seu trabalho com a banda Pearl Jam, e sua associação a esse filme reforçou essa admiração. Assistam Eddie Vedder - Guaranteed.

Rio Colorado, navegado a remo por Alex, passando pela Represa Hoover rumo ao México.
Foto real de Alexander Supertramp com o pensamento de Lord Byron representa bem o propósito do Blog.
 
   Os diversos trechos que me chamaram atenção no filme serão explanados nos próximas postagens visto que cada um deles merece atenção especial pois podem traduzir o que pretendo expor com esse blog.