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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Às Gotas

Amanheceu, a chuva cai contínua e fraca
Passos lentos, guarda-chuva na mão, mochila nas costas
Sigo pela calçada, ou meu lado, na rua, uma enorme fila
Veículos ainda mais lentos que meus passos
Meus olhos admiram a paisagem, descrevo-a em pensamento
No horizonte as montanhas
Com seus cumes envolvidos em neblina e chuva
Não paro, passos compassados
Ao lado os condutores e suas expressões múltiplas
Estão presos, são lentos
Há pressa, porém não há movimento
Expressões de cansaço, desânimo, ou nulas
Neutras de sentimento
Seus olhos acompanham o lento movimento do comboio
Distraídos, pensando ou não
Alguns respiram fundo, outros são mais suaves
Distraem-se com músicas aqueles, parecem tensos
Secos, pálidos, vazios
Suas paisagens são limitadas ao reflexo no retrovisor
Meus velhos calçados molham-se, chutam as pequenas poças
Os respingos não perturbam
As mãos deixam a proteção da guarda-chuva e sentem os pingos
Sinto a chuva, há uma certa energia oculta nela
Trás lembranças, pensamentos, alimenta a imaginação
Sigo contente, estou livre, a chuva é minha companheira
Não a evito mais, convivo com ela, interajo
Não aperto o passo, não há do que fugir
Sereno, energizado, renovado
Úmido ou seco, chegarei ao meu destino...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Construções Ecológicas

     Para se viver junto a natureza é indispensável viver também de maneira ecologicamente correta, pois se você pretende aproveitar o melhor do meio ambiente, deve fazer o máximo possível para que sua presença não seja prejudicial à natureza.

Projeto de Minke em parceria com o estúdio Craterra - Eslováquia. 
     É com essa visão que surgiu o conceito de Construções Ecológicas, ou Arquitetura Ecológica, nas quais procura-se utilizar materiais alternativos para construção de residências, incluindo as matérias primas naturais, como barro, pedra, galhos e folhas, assim como de material reciclado ou reaproveitado, como garrafas PET, pneus, isopor, paletes, caixotes entre tantos outros, além disso, podem conter outros elementos sustentáveis, tais como os telhados verdes, arquitetura voltada para melhorar a iluminação, energia solar, sistemas de reaproveitamento de água, e também a manutenção térmica, garantida pelo próprio material empregado na construção.

    Outro fato interessante sobre esta modalidade de construção é que ela, comumente, é realizada na forma de mutirão, talvez até pela natureza da obra, focada na simplicidade, o que incentiva o cooperativismo e a colaboração para que o projeto seja bem sucedido, deixando à todos com aquele ar de satisfação.
     
     Inúmeras experiências foram feitas sobre essa modalidade arquitetônica, e os resultados obtidos tem sido muito favoráveis, pois, de maneira geral, essas residências tendem a consumirem pouco capital financeiro, são menos impactantes que as construções tradicionais, permitem o reaproveitamento de materiais, e ainda assim oferecem todo conforto necessário para se viver bem.
   
     Recentemente o site Descubra O Verde publicou um pequeno artigo sobre o Arquiteto alemão Gernot Minke, um especialista em construções sustentáveis e autor do livro Manual de Construcción En Tierra - La tierra como material  de construcción y su aplicación en la arquitectura actual, no qual ele revela seus conhecimentos sobre as técnicas de utilização da terra como material de construção e sua capacidade arquitetônica. Um pouco mais sobre o trabalho desse talentoso arquiteto pode ser visto em seu site: Planungsbüro für Ökologisches Bauen Kassel.
    
  Além de obras complexas, com acabamentos impecáveis que são verdadeiras obras de arte arquitetônicas, Gernot também desenvolve projetos, digamos, econômicos e simples. Essas residências de aparência rustica, que instigam qualquer observador, são perfeitamente habitáveis, pois possuem todas as estruturas necessária para garantir segurança, abrigo, e, ao contrário de alguns comentários que ouvi, não possuem fatores que as tornam sujas e não higiênicas, seu acabamento bem feito isola-a da sujeira externa e de insetos, ou seja, são como habitações tradicionais quanto a esse aspecto, além de possuírem as vantagens citadas anteriormente.

     Mas o que isso tem a ver com o Fugir Para O Mato? É simples! A ideia de se integrar com a natureza   está ligada, também, a ideia de uma vida menos focada nos bens materiais. Mas não precisamos nos desfazer de tudo para viver assim (a menos que esse seja nosso desejo, porque também é possível), o que temos a fazer é apenas nos livrarmos dos excessos que nos tornam esses humanos consumidores vorazes e destruidores.
   
    Logo uma casa simples, oriunda basicamente de materiais encontrados em abundância na natureza, juntamente com o reaproveitamento de materiais que acabariam por poluir o meio ambiente, pode nos dar todo conforto de que realmente necessitamos, sem para isso termos gastado uma fortuna, e depois ainda sermos obrigados a nos trancarmos atrás de grades para termos segurança, uma vez que a riqueza aparente atraí os olhares dos marginais. Além do mais, o que torna uma moradia um lar, não é o dinheiro investido em suas paredes e acabamentos, mas sim a paz e harmônia que podemos encontrar nesse ambiente.

     E então? Alguém se arrisca num empreendimento desses? Compartilhem suas opiniões.

     Estou com o Manual de Gernot, e assim que conseguir estudá-lo - está em espanhol, o que dificulta um pouco - vou tentar elaborar algumas dicas, apontando o que é viável e o que não é, considerando o lugar onde vivemos, também trarei outras opções de moradias ecológicas de baixo custo, exemplos de projetos  bem sucedidos.
   
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

A Chuva

   Além de um maravilhoso fenômeno da natureza, de extrema importância para manutenção da vida no planeta, a chuva é também uma fonte inspiradora para a mente fértil dos pensadores. Olhar pela janela e ver as gotas de água refletindo as luzes ao seu redor, faz com que a nossa mente se desligue por um momento do habitat em que estamos, e passamos a nos imaginar vivendo em outro cenário, levando um vida diferente.

Chove ininterruptamente a três dias, e o desejo de não ter compromissos sociais, profissionais, obrigatórios,  aumenta  consideravelmente. 
Não! Não detesto a chuva, gosto dela, o que não gosto é da obrigação de ter que acordar cedo num dia chuvoso, e correr para o trabalho - mesmo que o considere um bom trabalho - e cumprir com outras obrigações sem  ter o devido ânimo para fazê-las por conta da morosidade letárgica a que nos remete os dias chuvosos.

   Mas mesmo vivendo em meio a natureza, sem vínculo empregatício com ninguém, a não ser com as próprias necessidades de sobrevivência, é certo que teríamos compromissos, e também a necessidade de trabalhar, a diferença está em como isso ocorre. Afinal como seria um dia chuvoso para alguém que vive da forma mais natural possível?   Pois bem, baseando-me no que já li,  vi, ouvi, e conheço a respeito disto, posso descrever como seria.

  Imagine-se despertando de uma boa noite de sono logo ao  amanhecer, no momento em que percebe que lá fora cai uma bela chuva torrencial, o que viria em mente nesta hora? Uma simples checagem mental, questionando-se do seguinte: Tenho alimentos pra o dia de hoje? Há alguma atividade que não possa ser adiada por um dia ou dois, como por exemplo a colheita de algum fruto, ou o plantio de alguma semente destinada a prover o sustento futuro? Há algum reparo emergencial a ser feito em seu abrigo - que no meu caso será uma cabana - que não possa esperar a estiagem?

   Confirmando que não há necessidade de se fazer nenhum trabalho com urgência, ou com prazo inadiável pensamos "Porque não continuar dormindo por mais algumas horas?" E depois, acordar a qualquer momento, alimentar-se, ler um livro, fazer alguma tarefa em sua cabana, e caso a chuva não seja tão intensa, por que não sair em um passeio  pela mata, sentindo os pingos d'água caírem suavemente sobre seu corpo.

   Muitos podem considerar essa ideia como uma atitude de um vagabundo, pois não é! Chamo a atenção para a necessidade de termos que trabalhar em qualquer situação, porém, existe uma grande diferença entre trabalhar para se manter vivo, livre e satisfeito, e trabalhar para produzir lucros à terceiros, privando-se assim da própria liberdade em troca de um salário que acaba não satisfazendo nem mesmos suas necessidades, as quais, indiscutivelmente, são maiores para vida de um urbanóide, do que para alguém que vive da natureza, com a natureza.