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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Às Gotas

Amanheceu, a chuva cai contínua e fraca
Passos lentos, guarda-chuva na mão, mochila nas costas
Sigo pela calçada, ou meu lado, na rua, uma enorme fila
Veículos ainda mais lentos que meus passos
Meus olhos admiram a paisagem, descrevo-a em pensamento
No horizonte as montanhas
Com seus cumes envolvidos em neblina e chuva
Não paro, passos compassados
Ao lado os condutores e suas expressões múltiplas
Estão presos, são lentos
Há pressa, porém não há movimento
Expressões de cansaço, desânimo, ou nulas
Neutras de sentimento
Seus olhos acompanham o lento movimento do comboio
Distraídos, pensando ou não
Alguns respiram fundo, outros são mais suaves
Distraem-se com músicas aqueles, parecem tensos
Secos, pálidos, vazios
Suas paisagens são limitadas ao reflexo no retrovisor
Meus velhos calçados molham-se, chutam as pequenas poças
Os respingos não perturbam
As mãos deixam a proteção da guarda-chuva e sentem os pingos
Sinto a chuva, há uma certa energia oculta nela
Trás lembranças, pensamentos, alimenta a imaginação
Sigo contente, estou livre, a chuva é minha companheira
Não a evito mais, convivo com ela, interajo
Não aperto o passo, não há do que fugir
Sereno, energizado, renovado
Úmido ou seco, chegarei ao meu destino...

sábado, 7 de setembro de 2013

Uma Nova Estação

     O inverno está chegando ao fim e o calor está voltando a reinar, nossos dias deixam de ser cinzas e a vontade de curtir a natureza aumenta ainda mais.

     Não que o inverno seja uma estação ruim ou chata, mas as condições climáticas dessa época nos deixam mais preguiçosos, e os atividades ao ar livre costumam ser evitadas pela maioria. E mesmo os amantes do frio ficam felizes quando surge aquele dia muito mais ensolarado dentre tantos outros frios e nebulosos, momento este em que podem sair para recarregar suas energias.

     Por mais que as temperaturas mais extremas nos proporcionem alguma dificuldade para a realização das atividades de contato com a natureza, não devemos deixar esses empecilhos privar-nos da diversão e do lazer.  Se correr tornou-se complicado devido a baixa temperatura, apenas caminhe até que consiga voltar ao ritmo dos  dias quentes.


    Ficou claro que nem todos tem disposição para deixar os abrigos quentinhos para respirar o ar, gelado, mas puro dos parques da cidade, preferindo hibernar por todo o inverno, e agora estão dando as caras novamente para aproveitar o calor que aumenta, lentamente, dia após dia.
   
    Os dias quentes são meus preferidos, no entanto, pude desfrutar bastante desses dias frios que antecederam, e como é bom poder fotografar a geada ao nascer do sol, é claro que com as mãos tremendo de frio algumas fotos não ficam muito boas, mas nada que um café quente não cure depois.

      Viver em uma região tropical com estações bem distintas nos permite desfrutar diversas sensações relacionadas ao clima, sem precisar ir para longe. Temos o privilégio de ver as paisagens ao nosso entorno modificando-se gradativamente ao passar dos dias, as plantas mudam, os animais mudam, e principalmente os humanos mudam, cada um se adaptando a sua maneira a uma nova fase. 
   
     O mais importante é sabe aproveitar cada momento, adaptando-se da melhor maneira possível ao clima do momento, conseguiremos interagir o tempo todo com a natureza sem prejuízos, essa é chave. Adaptação.

Então, vamos lá! Curtir os nossos novos dias de sol!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

(Re)Progresso

     "Reprogresso", esse é o título de uma música da banda capixaba Dead Fish  (uma de minhas favoritas) que fala sobre a mudança de cenário ocorrida na cidade de Vitória - ES, por ser o local de origem da banda, mas que é comum a quase que totalidade das cidades do mundo.


Reprogresso - Dead Fish
"Não há chão para pisar, não me lembro mais deste lugar,
Aqui onde hoje passam os ônibus minha avó pisava ao mar 
E é por isso que estou aqui e com força me seguro em ti, pois não sei de onde venho,
Talvez possa até ser bom, mas queria tanto ver a história que o asfalto tapou
E esta fumaça que não existia, agora me impede de te olhar,
E o progresso que suja o horizonte me tornou tão intolerante,
Mais uma geração se perdeu, isso não pode ter sido sem querer 
E vimos o prédio crescer, e parados a ilha afundou,
Só soubemos nos matar, e as ilhas na ilha"

   


Parque Moscoso, Vitória - ES  Inaugurado 1912          Foto: Elizabeth Nader
   Quando temos gravado em nossa memória as imagens de algum local, que algum dia, no passado, fora um ambiente incrível, mas que agora foi totalmente alterado para dar lugar as novas paisagens que o progresso nos trouxe, ficamos decepcionados com o resultado de nossas ações, ao menos deveríamos ficar. 



       É preciso tomar cuidado ao falarmos sobre o progresso, pois de fato é ele que proporciona uma série de benefícios para as pessoas, porém, em muitas vezes, o que temos é prejuízos enormes tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente. Não se trata de parar o progresso, mas sim reestruturá-lo.

   Como diz a letra da música "Talvez possa até ser bom, mas queria tanto ver a história que o asfalto tapou",  o progresso tem suas vantagens, mas para isso cobra um preço muito alto, o qual todos nós pagaremos. 



Vitória - ES é a pioneira na criação de órgãos públicos específicos para
os assuntos relacionados ao meio ambiente, tendo fundado a
Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 1986.
    Ainda existe o conflito entre os defensores do progresso a qualquer custo e os adeptos da progresso sustentável. É preciso quebrar o mito de que os projetos sustentáveis e de baixo impacto ambiental não podem fornecer a mesma lucratividade, qualidade, agilidade ou comodidade que serviços e produtos tradicionais, que tanto tem prejudicado o habitat dos humanos.

  Satisfaço-me e empolgo-me quando descubro artigos e/ou reportagens sobre obras criadas com o mínimo impacto possível ao meio ambiente e de maneira que possa valorizar as paisagens naturais, assim como obras onde são agregados elementos naturais buscando a harmônia, e o bem-estar das pessoas que ali vivem. 



Um exemplo do 'verde' de Vancouver                   Foto: Duda Menegassi
   Este esta sendo o principal objetivo da cidade de Vancouver, que pretende se tornar a cidade mais verde do mundo até 2020, mas sem deixar de lado o progresso, que é algo praticamente imparável, e para isso necessitam conciliar os aspectos econômicos com os interesses ambientais (Fonte O Eco). 


   E isso está dando muito certo. Seria incrível se as cidades do mundo todo adotassem políticas assim. Essa é forma ideal de progredir, de evoluir, precisamos reinventar o progresso, torná-lo menos danoso ao meio ambiente.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Nos faz querer fugir...



 "Bem, ele amaldiçoou todas as estradas e os homens do petróleo
E ele amaldiçoou o automóvel
Disse isso não é lugar para um homem como eu sou, neste novo mundo de asfalto e aço
Então ele ficaria fora, em algum lugar à distância de algo que só ele podia ver
Ele dizia tudo o que resta agora dos velhos tempos
Esses malditos coiotes velhos e eu..."

     Esse é um trecho da música Coyotes de Don Edwards, a trilha sonora de encerramento do filme Grizzly Man, e conta a história de um cowboy que estava muito descontente ao ver como o mundo ao seu redor havia se transformado, a "evolução" e o "progresso" acabaram com a magia e a beleza das paisagens que ele outrora conhecia e admirava.

     Posso afirmar que compartilho desse sentimento com ele, e que me assusto ao ver o mundo em que estou e a direção em que está indo. As pessoas mudaram suas atitudes, e na maioria dos casos mudaram para pior, egoísmo, desrespeito, consumismo, violência enfim, querem a autodestruição?! As vezes chego a pensar que tudo está realmente perdido, mas acredito que as coisas podem mudar..."I believe in a better world for me and you" (Ramones). Não penso em desistir, ainda!

     Fico feliz quando conheço pessoas que conseguem compreender o meu ponto de vista, e que por mais que não pensem assim, respeitam, talvez até porque achem isso certo, mas não conseguem mudar, e assim continuam seguindo a correnteza, porém sem tentar me levar de arrasto (Ufaa). Prefiro seguir assim, remando contra a correnteza dessa moderna evolução descontrolada, procurando evoluir de uma outra maneira, na qual possa ficar em paz.
      
      Não sou um antissocial, pelo contrário...."Me sociabilizo até muito bem, mas sempre que posso evito" (Matanza)...Gosto de conversar com as pessoas, de debater opiniões divergentes, mas gosto de fazer isso com pessoas que argumentem de fato, e não com as que me dizem simplesmente "não ta certo, porque as coisas são assim e não vão mudar..", bem lamento informar que pra esses seres nada vai mudar mesmo, e se isso acontecer eles nem irão perceber. Me admiram as pessoas que estão tentando mudar.

     É fato que a sociedade e a civilização não podem ser mudadas de uma hora pra outra, salvo em caso de uma catástrofe mundial repentina, após a qual nada existiria, mas isso pode não acontecer de forma inesperada. Mas pior que saber que estamos entrando em declínio gradualmente, é saber que os humanos estão se acostumando a isso, e simplesmente, a grande maioria, ignora esse fato trágico, como se aceitassem um destino infeliz, e inclusive, lamentavelmente, um presente infeliz e inapropriado.

      Me questiono se realmente fugir é a escolha certa a fazer, pois penso que seria negligente abandonar a humanidade nos trilhos desse trem desgovernado que é o "progresso". Imagino que essa ideologia deva ser compartilhada, que devemos tentar ajudar as pessoas abrirem seus olhos e suas mentes, sem forçar a mudança, pois tudo que for imposto será rejeitado. 

       É fundamental que as pessoas mudem suas atitudes espontaneamente, seguindo bons exemplos, e é por isso que ainda estou na civilização, escrevendo um Blog, usufruindo dos benefícios da evolução moderna à favor de uma ideologia que melhore a qualidade de vida da humanidade, que transforme o mundo, independente do alcance que minhas palavras possam ter.

    

domingo, 23 de junho de 2013

Áreas Ecológicas Urbanas

      Mesmo no ambiente urbano temos a oportunidade de encontrar espaços destinados ao lazer junto a natureza, como é o caso das praças, parques, zoológicos, jardins botânicos, lagos entre outros.

       Embora presentes de forma expressiva, em algumas cidades, esses locais nem sempre são utilizados em seu máximo potencial, sendo até mesmo desprezados por boa parte dos habitantes locais. Uma situação realmente lamentável, que acarreta a desvalorização do local, tornando-os, muitas vezes, áreas de desinteresse público. Mas o que acontece com esses locais que deveriam, naturalmente, atrair as pessoas para desfrutá-los?
Lago Municipal de Cascavel                              Foto: Joeci Ricardo Godoi

        É possível observar algumas situações que contribuem para esse abandono, e que, como em qualquer local de acesso público, os responsáveis por criar tais situações englobam toda a comunidade. As autoridades responsáveis pela administração desses espaços tem sua parcela de culpa, os frequentadores bem intencionados e os mal intencionados também possuem sua parcela de culpa.

      Em alguns casos a presença reduzida e com pouca frequência de pessoas no local, incentivam a presença de indivíduos mal intencionados no local, e esses por sua vez acabam inibindo a utilização do espaço pelos frequentadores usuais. Esse é o caso de praças, por exemplo, que são utilizadas por traficantes, prostitutas, entre outros indivíduos que atuam a margem da lei. Aqui podemos perceber a influência de fatores distintos contribuindo para a situação degradante, primeiramente a falta de proteção por parte das autoridades gestoras, e em segundo pela descaso da população em frequentar o local e denunciar as irregularidades.

     Os gestores são também negligentes quanto a manutenção dos ambientes, ao passo que os frequentadores pecam ao não zelarem pelo local que frequentam. Em apenas alguns metros de caminha no Lago Municipal de minha cidade, pude registrar vários indícios do descaso das pessoas para com esses locais, como os representados nas imagens ao lado, a mente "criativa" de certas pessoas inconsequentes, transformam as plantas em lixeiras naturais, sem contar a grande quantidade lixo que vem carreado pelas águas vindas das vias públicas e vão acumulando-se nas margens do lago, principalmente em épocas chuvosas como esta. O problema do lixo não é apenas estético, ele atrapalha, e muito, a vida animal, contamina a água e é, também, prejudicial as pessoas que frequentam o ambiente. Entretanto esse ainda é um bom local para se visitar, está bem conservado, salvo alguns pontos que precisam ser melhorados, mas que para isso é necessário que a população cobre dos gestores, e mostrem a eles que o local está sendo utilizado, merecendo, assim, investimentos.
Parque Ecológico Paulo Gorski                Foto: Joeci R. Godoi

Parque Ecológico Paulo Gorski               Foto: Joeci R. Godoi
      Não há duvidas que ninguém quer frequentar um local marginalizado, mas somos em partes culpados por isso, quando deixamos de frequentar tal local antes que ele fosse tomado pelas atividades ilícitas, uma vez os mal elementos dificilmente se instalariam em um ambiente fortemente frequentado pelas pessoas de bem, diferentemente de um local mal cuidado e desprezado pela população em geral. Não podemos deixar que esses locais fiquem fora do planejamento urbano, e cabe a nós, enquanto cidadãos, fazermos a nossa parte.
   

      Agora vocês podem fazer uma reflexão sobre as áreas de lazer ecológico que existem em suas cidades, e identificar quais os problemas que eles apresentam que os tem feitos ser deixados de lado na hora de fazer seus programas de lazer, e assim verificar se talvez um simples aumento do público frequentador não poderia estar gerando um efeito cascata para que estes locais se tornem novamente adequados para a visitação.

       Voltarei em breve trazendo apenas pontos positivos a respeito das áreas urbanas que ainda mantem um pouco do verde natural que lá existiu.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

The Walden Woods Project

    Para manter o legado deixado por Henry, foi fundada uma organização sem fins lucrativos, a The Walden Woods Project, um projeto que promove a ética de gestão ambiental e responsabilidade social, sendo estes os pilares da filosofia de Thoreau.

     Dentre as missões do Organização está a proteção e preservação das paisagens da Floresta de Walden, dado o reconhecimento da sua literatura, e importância ambiental para todo o mundo, e em sua capacidade de motivar os outros a identificar, estudar e proteger os paisagens naturais que existem em suas comunidades. Promove a literatura ambiental e de responsabilidade social entre os alunos, educadores e pesquisadores.
   
    No decorrer dos anos, desde a sua fundação em 1990, essa Organização vem adquirindo várias parcelas de terra no entorno do Lago Walden com a finalidade de preservá-las. Para conseguir comprar essas terras, e manter toda sua estrutura, a organização necessita receber doações e contribuições provenientes  da s associações de qualquer cidadão que tenha interesse em fazê-la.


    A organização mantem ainda uma valiosa coleção de arquivos em sua biblioteca, com o objetivo de ampliar a compreensão da literatura e do legado de Henry. Além de defender a preservação do histórico do do Lago Walden e sua floresta, com seu projeto de advocacia, o projeto pretende transferir esse ideal, e esse conhecimento para que o mesmo possa ser feito em vários locais no mundo todo.

                                                         Thoreau Institute Library Reading Room
      A Biblioteca da organização - The Henley Library -  acolhe voluntários que desejam colaborar com o projeto, no que se pode considerar uma relação mutualística, onde o voluntário contribui com seu talento e tempo para melhorar a qualidade do serviço prestado pela instituição, e em troca tem a oportunidade de ter acesso a documentos históricos, ter acesso amplo a literatura disponível, transcrever os materiais manuscritos, ou seja, oportunidade de ampliar seu conhecimento e contribuir para uma causa tão nobre.     Além de serem apreciados no agradável ambiente da biblioteca, alguns desses importantes documentos podem ser acessados em sua versão digitalizada no site da organização.
   
      World Wide Waldens e Approaching Walden  são algumas das atividades educacionais desenvolvidas pela instituição, esta primeira desenvolve atividades de reflexão e ação ambiental para estudantes de vários níveis inclusive universitários, enquanto a segunda trata-se de um seminário especial de verão destinado a aumentar a experiência de professores. São ministradas também, palestras sobre Manejo Ambiental direcionada pra o público diverso.

     Todas as atividades são conduzidas por guias experientes capacitados a trazerem um maior entendimento sobre o legado de Thoreau.

    A tanto mais para se falar a respeito dessa organização, porém, não pretendo esgotar todo assunto em apenas uma post, pois ele ficaria imenso. Portanto continuem acompanhando as novidades!


domingo, 12 de maio de 2013

Alternativas Para o Dia A Dia

         Mesmo sem abandonar completamente a vida urbana temos opções de lazer junto a natureza, onde podemos nos distrair e imaginar como poderia ser essa realidade de viver mais ao natural.
    
  Na maioria das cidades podemos encontrar Parques Ecológicos, praças públicas, zoológicos, lagos, rios, áreas de acampamento, sítios, entre outros atrativos do gênero, muito embora eles sejam um pouco escassos, e até mesmo desprezados pela maioria, a sua contribuição para melhorar a qualidade de vida de quem aprecia tal paisagem.
  Esses locais são ideais para serem frequentados ao final de um dia cansativo de trabalho, e também nos finais de semana. E como é agradável a sensação de tirar os calçados e sentir a grama fresquinha entre os dedos, é possível sentir a energia fluindo do corpo para a natureza, aliviando a pressão que stress urbano nos causa. Tão bom é dedicar um tempo apenas para observar a paisagem, respirar profundamente o ar puro, admirar uma árvore, perceber os detalhes tão peculiares de sua estrutura, assistir de camarote as atividades cuidadosas e engenhosas que os animais desenvolvem corriqueiramente. 

 Há ainda a possibilidade de integrar a natureza com outros hobbies como pedalar, correr, nadar, praticar rapel, escaladas, percorrer trilhas, acampar, fotografar, desenhar, pintar, até mesmo escrever, que tal apenas reunir-se com os amigos para conversar, sem músicas, sem bebidas, ou seja, sem ter a sensação de estar num bar a céu aberto - não é que me oponho a isto, mas há um momento e lugar para tudo.

   Agora é só seguir as dicas, e com um pouquinho de determinação, logo logo estará cada vez mais integrado à natureza, e respirando o ar puro com maior frequência.